A maternidade é a transição mais importante da sua vida.

Sem dúvidas! Mas o que está por traz de tudo isso? Sério, eu pensei que era a única pessoa no mundo que brigava sem parar com o marido. Meu feed do instagram estava cheio de ensaios fotográficos newborn com famílias super felizes. Eu não entendia o que tinha de errado comigo. Quer saber a verdade? Todo mundo passa por dificuldades nesse período. Tudo mundo.

Assim que você anuncia a gravidez, as amigas começam a contar como o casamento se transforma depois dos filhos (e eu diria que a transformação no início não é bonita de se ver…).

Mas os casais que se preparam, que sabem quais são as principais dificuldades depois dos filhos, lidam melhor com a nova rotina e tem chances maiores de passar por essa transição sem grandes problemas.

Alguém disse uma vez que a partir do momento que você vê o teste de gravidez positivo, você ativou uma bomba relógio no seu casamento. Ela vai explodir e nada vai ser igual como era antes. É verdade mas… não precisa ficar ruim! Por isso eu vou apresentar pra vocês “Os quatro detonadores de casamento” e como você pode evitar que os problemas aumentem nos primeiros meses. Sério, você vai me agradecer. Então vamos lá. Pega uma caneta e o seu journal… vai valer a pena!

Nesse post eu vou te mostrar:

  1. As 4 razões mais comuns de brigas entre o casal com a chegada do bebê;
  2. Como esses conflitos afetam o bebê? 
  3. Como usar esse conhecimento para proteger o seu casamento e o desenvolvimento saudável do bebê para um sono mais tranquilo: 3 dicas práticas;

Eu te apresento “Os quatro detonadores de casamento”:

•Falta de Sono;

•Isolamento social;

•Trabalho desigual dentro de casa;

•Depressão;

 

1) Falta de Sono:

Nunca substime o efeito negativo que a falta de sono faz para um casal em transição para serem pais. Você já deve ter uma noção de como as coisas vão mudar durante a noite. Mas provavelmente não sabe o quanto vai mudar. Quando eu estava super grávida, já no terceiro trimestre, eu imaginava que fazer xixi de 5 em 5 minutos de noite já era um treino para acordar com a minha bebê. #sqn.

Escreva isso no seu coração: bebês não nascem com hábitos de sono. No útero não tinha noite ou dia, a temperatura era ideal e o movimento e som do seu coração eram a música de ninar. Adivinha só?! Agora tudo é diferente. Claro que com paciência, amor e hábitos de sono você vai ajudar seu bebê a dormir cada dia melhor! Mas é bom citar como é a realidade no início.

Nem preciso falar da parte emocional que vai pro brejo: 91% das pessoas perdem a habilidade de controlar as emoções. Essa era a pior parte pra mim. Eu amo dormir, de verdade. Privação de sono pra mim é como assumir uma segunda personalidade: má, cruel, mal humorada e assim vai… uma beleza!

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2) Isolamento Social:

Essa é a reclamação número um dos pais e mães de primeira viagem. Eu não pensava o quanto isso me afetaria. Se você é como eu, que ganha energia vendo outras pessoas e saindo de casa, vai te afetar também. Mas que é uma questão de tempo. A gente se recolhe no ninho para proteger o bebê. Isso é respeitar o recém-nascido, sem dúvidas! Mas tem seu efeito colateral…

A verdade é que a nova rotina com o bebê cansa demais o casal. Se a gente não tem tempo de cultivar o próprio casamento, quem dirá as amizades.

Os amigos param de visitar, e o casal não tem tempo de achar novos amigos. Além do seu conjugê, o tempo pra você conversar ou encontrar outra pessoa é menos do que 90 minutos, segundos estudos. Você vai passar no mínimo 34% do seu dia isolada em casa.

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3) Trabalho desigual:

Falando sério agora: se você entrou no casamento achando que seria 50% pra cada um, ou você não entende de porcentagem ou não entende de homens. Eu não estou dizendo que eu concordo com isso… mas é um fato! Assim que o bebê chega em casa, somos nós que nutrimos emocionalmente e fisicamente. É muito trabalho! 

Eu tirei esse trecho do livro “Brain Rules for Babies”, porque mostra bem a nossa realidade. Eu quase morri de tanto rir (e chorar):

“Se o meu marido falar mais uma vez que ele precisa descansar porque trabalhou o dia todo, eu vou jogar todas as roupas dele pela janela, soltar o freio de mão e assistir o carro indo rua abaixo e vender todas as coisas de esporte que ele ama no Mercado Livro por um real. Aí eu mato ele. Eu tenho certeza que ele não entende nada. Sim, ele trabalha o dia todo, mas ele trabalha com pessoas que falam Português e que fazem as necessidades no banheiro: adultos!”

#quemnunca.

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4) Depressão:

Até agora eu falei sobre a transição para a maternidade: que exige 24h da sua atenção, faz você dormir pouco, te deixa com pouca energia para fazer amizades e faz com que a louça suja na pia seja motivo de divórcio.

Se isso não é suficiente pra detonar a bomba, é porque falta um último: a depressão. Ainda bem que a maioria de vocês nem vai passar por isso. Mas é importante citar.

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OK, já sabemos dos problemas. Agora como afeta o bebê?

Se o instinto de sobrevivência é a prioridade mais importante do cérebro, segurança é o segredo.

Durante o período de apego, o cérebro do bebê fica prestando atenção se as necessidades estão sendo atendidas. Tanto físicas como emocionais. O bebê presta atenção em quem ele pode confiar e como os pais se comportam.

O Dr. John Medina explica que existe uma janela, mais especificamente os 3 primeiros anos, que os bebês lutam para criar vínculos e apego seguro. Se isso não acontece, o bebê pode sofrer emocionalmente a longo prazo. Em casos extremos, o bebê pode se tornar ansioso para a vida toda.

Além disso, os bebês menores de 6 meses já sabem que alguma coisa está errada. O corpo sofre com mudanças fisiológicas como aumento da pressão do sangue, coraçãozinho acelerado e hormônios do estresse que dão um banho no corpinho tão sensível.

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E o que isso tem a ver com o sono infantil?

Os bebês que assistem muitas brigas, respondem menos a tentativa de acalmar seu choro. Eles levam mais tempo para se recuperar de momentos de estresse e regular suas próprias emoções. Resumindo: eles demoram mais para dormir e choram por mais tempo.

Mas isso é o que nós não queremos! Então vamos juntas para a última parte:

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Como proteger o seu casamento para ter um bebê mais calmo e feliz nos primeiros meses:

1) O que é obvio pra você é obvio pra você. Seu marido não é a mãe Dináh. 

Eu sei…eu sei. Já está difícil sem dormir bem, sem saber se é dia ou noite. Você vê a louça na pia (sim, eu tenho horror a louça suja na pia. Deu pra perceber né?!) então você fica emburrada pensando que o marido vai entender que ele fez alguma coisa errada. Sério, você não precisa disso. Não perca tempo e energia, pula logo para o que interessa: diga o que você precisa. Seja clara e use poucas palavras.

  • Divida as tarefas no papel. Conversem olhando no olho, rindo, a luz de velas ou comendo batata frita. A ideia aqui é encontrar um momento agradável para vocês, já que não é o melhor assunto para se conversar.
  • Não afaste seu marido das tarefas com o bebê. Sim ele faz diferente, mas não quer dizer que seja errado. Se você fica olhando, fiscalizando ou dizendo como as coisas devem ser feitas, ele vai acabar achando que não nasceu pra isso e deixar de fazer. Ele é seu aliado e você não precisa fazer tudo sozinha.

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2) Hello miss Empatia 2018!

Que tal ganhar um concurso de quem tem mais empatia pelo outro?! Parece coisa de mãe isso né? haha… Mas é super importante. Quando as coisas esquentarem (não da forma como vocês gostariam…) tente esse exercício:

  • Descrever a emoção que você vê em voz alta: “você parece cansado, parece irritado…”
  • Tente adivinhar de onde essas emoções vieram: “você teve um dia difícil no trabalho e está cansado porque não dormiu? Perdeu o jogo? Não sai mais com os amigos?”
  • O mesmo vale para o marido e vice versa. Com esse jogo, vocês conseguem ver além do cansaço normal das noites mal dormidas.

Falem obrigada, muitas vezes!

  • Obrigada por trocar a fralda. Obrigada por fazer um lanche. Obrigada por lavar a louça… Gratidão e empatia fazem milagres! 

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3) Cuide de você:

  • Faça uma lista de 20 coisas que te deixam relaxada e feliz. Coisas simples, fáceis e alcançáveis. Ficar no pinterest? Tirar uma soneca? Ligar para uma amiga?
  • Faça 3 itens dessa lista por dia. Não importa o que está acontecendo. Tem louça suja? Tem coisas pra fazer? Mas o Bebê está calmo ou dormiu: então faça algo por você primeiro! isso vai te deixar mais calma e feliz. Nesses primeiros meses você não tem obrigação de agradar ninguém. Seu bebê merece uma mãe feliz! 

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Pontos mais importantes desse post:

  • Mais de 80% dos casais passam por uma perda grande na qualidade do casamento nos primeiros meses com o bebê (na transição para a maternidade).
  • Os quatro detonadores do casamento são: falta de sono, isolamento social, trabalho desigual e depressão. Saber disso te coloca em vantagem para ter uma transição mais tranquila.
  • Guerra e conflitos entre o casal podem atrapalhar o desenvolvimento do cérebro e sistema nervoso do bebê recém-nascido. Fica mais difícil de adormecer ou manter as sonecas porque o bebê fica mais agitado e estressado.
  • Pratique empatia e gratidão no dia a dia. Tente descrever a mudança emocional que você está vendo no seu marido/esposa e tente adivinhar a origem desse sentimento em voz alta.

É isso. Parabéns! Você leu até o final e agora pode descansar um pouco, dividir as tarefas e cuidar muito bem de você!